Save the Children impulsiona criação de microbancos nas comunidades e melhora condição de vida das comunidades em Gaza

Thursday 13 September 2018

O Cenário

A província de Gaza, em particular nos distritos do norte, que constituem área de impacto da Save the Children desde 2009, não há nenhuma actividade industrial e o défice de infraestruturas rodoviárias fazem com que o comércio e as actividades econômicas em geral se tornem muito difícil de realizar.

O acesso ao financiamento é também muito difícil, em parte pela própria falta de margens de lucro que poderiam atrair instituições micro-financeiras formais e, a plataforma de financiamento do Governo não apresenta facilidades para este grupo alvo.

Movidos pela transparência e autonomia do processo adoptado pelo projecto, os membros têm confiança pois, poupam e aderem ao crédito para resolverem alguns problemas de diversa ordem nas suas vidas.

A má gestão de activos, incluindo recursos financeiros ao nível das famílias e da comunidade, coloca-os numa situação de vulnerabilidade. Outra questão crítica é a falta de habilidades para a edificação de iniciativas de geração de renda e ainda o uso e aproveitamento racional de recursos por forma a terem uma vida resiliente.

Um estudo realizado pela Save the Children, mostrou que os agregados familiares não tinham experiência em aceder a quaisquer programas de financiamento em 85,3%. No entanto, havia uma relativa experiência de participação em grupos de poupança e empréstimo numa expressão de cerca de 41.7%. Não obstante a isso, do total das 40 comunidades que constituem área de impacto do projecto, apenas 2,5% é que já tinham praticado poupanças embora, numa abordagem cuja perspectiva não era de autofinanciamento ou de negócio.

O projecto formou e treinou 38 grupos de poupanças comunitárias a nível dos distritos de Guijá, Mabalane, Mapai/Chicualacuala e Chigubo, alcançando 1.113 membros.

 

A Intervenção

Com o propósito de:

a)Estabelecer mecanismos coletivos para melhorar a gestão dos recursos financeiros através da recolha de poupança e de redistribuição de empréstimo e;

b)Incentivar, auxiliar e apoiar as iniciativas económicas (AGR), cujos rendimentos são esperados serem compartilhados e que haja replicação a estender-se de forma progressiva a população em geral.

O Projecto tem proporcionado mudanças na vida dos membros, salientando as oportunidades económicas mediante a prática de negócio.

A Save the Children International através do projecto FSL, tem estado a intervir na componente de micro finanças, criando e capacitando grupos locais em Poupanças e Credito Rotativo.

O projecto formou e treinou 38 grupos de poupanças comunitárias a nível dos distritos de Guijá, Mabalane, Mapai/Chicualacuala e Chigubo, alcançando 1.113 membros.

Dada a crescente demanda das comunidades face à intervenção movida pela abordagem do projecto, foram assistidos 8 novos grupos abrangendo um total de 214 beneficiários.

Apoiou em 20 iniciativas de geração de rendimento a igual número de comunidades de impacto (9 padarias e 11 iniciativas de criação de animais).

Num cenário em que cerca de 97.5% não praticava poupança comunitária, até Junho de 2018 os 38 grupos já movimentavam cerca de 2.245.599 mts declarados.

Na área de impacto do projecto, apenas 2.5% dos membros da comunidade é que practicavam poupanças comunitárias, pelo que não existiam plataformas de micro - finanças comunitárias sistematizadas.

 

A Mudança

Na área de impacto do projecto, apenas 2.5% dos membros da comunidade é que practicavam poupanças comunitárias, pelo que não existiam plataformas de micro - finanças comunitárias sistematizadas.

Movidos pela transparência e autonomia do processo adoptado pelo projecto, os membros têm confiança pois, poupam e aderem ao crédito para resolverem alguns problemas de diversa ordem nas suas vidas.

O Projecto, através de ASCAS que é bastante concorrido, tem proporcionado mudanças na vida dos membros, salientando as oportunidades económicas mediante a práctica de negócio.

Evidências…

Arlindo dos Santos Tchauque, nascido em 1960 em Mandzoiane - Guijá, é residente na comunidade de Pumbe, onde veio a fixar residência em 1990, resultante da migração iniciada em 1984 junto a sua mãe Lita Samson Chivodze, devido à guerra civil que durou cerca de 16 anos.

Actualmente, vive com a esposa Hortência Soiane, com quem tem 7 filhos, tendo adoptado o oitavo na sequência do trabalho que tem desenvolvido em colaboração com a Save the Children, à qual juntou-se a 5 de Maio de 2016 como presidente da então recém-formada “Associação agropecuária Phuneca” no âmbito da criação, formação e assistência técnica aos grupos de produtores promovidos pelo projecto FSL.

A 10 de Abril de 2017, Arlindo beneficiou de mais intervenção refente à micropoupanças comunitárias, liderando um dos grupos de Pumbe, onde junto à esposa, aderiram a poupança e acederam ao crédito e, promoviam a iniciativa para os demais membros da comunidade de Pumbe, embora no início fosse com incerteza.

Com os produtos colhidos na machamba (associação), Arlindo conseguia alimentar a sua família e parte dos produtos vendia, facto que lhe conferia condições financeiras para fazer poupanças mensais, tendo conseguindo arrecadar cerca de 36.300,00 mts no fecho do ciclo. Com os empréstimos concedidos pelo grupo, Arlindo conseguiu comprar material escolar, uniforme para os 4 filhos que frequentam a escola e 100 sacos de cimento que lhe possibilitaram iniciar a sua casa, perspectivando fornecer condições habitacionais condignas à família.

Gilda tem trocado produtos alimentares com carvão, ajudando desta forma a sua comunidade no acesso a comida.

Gilda Carlos Tchauque, nascida em 1982, com apenas 17 anos de idade, junta-se maritalmente com Samora Vasco Mazive com o qual tem 5 filhos.

Gilda torna-se beneficiária das intervenções do projecto inicialmente como promotora comunitária, formada pela Save the Children no âmbito de vacinação contra a doença Newcastle em 2016, tendo beneficiado do kit do promotor e em Maio de 2017 como membro e contabilista do grupo de microfinanças comunitária de Nhanale - distrito de Chigubo.

Com a adesão ao empréstimo no grupo de ASCAS, Gilda conseguiu abrir uma pequena loja na sua residência onde vende produtos de primeira necessidade e com os rendimentos da pequena loja, consegue comprar material escolar para os filhos. Com os lucros conseguiu também comprar suínos e caprinos para criação e contribuiu na compra de cimento para a construção da sua residência junto ao seu esposo. Para além disso, com a estiagem que já se nota em Nhanale, Gilda tem trocado produtos alimentares com carvão, ajudando desta forma a sua comunidade no acesso a comida.

“Desde que comecei a trabalhar com a Save the Children, a minha vida mudou. Sempre tive o desejo de iniciar um negócio, mas a dificuldade em aceder a crédito frustrava os meus sonhos. Com o início da ASCAS, promovido pela Save the Children, vi uma luz verde para as minhas pretensões. Neste momento, tenciono iniciar viagens para África do sul, onde os produtos estão mais acessíveis e assim poderei estender o meu negócio” disse Gilda.

Com os empréstimos concedidos pelo grupo, Arlindo conseguiu comprar material escolar, uniforme para os 4 filhos que frequentam a escola e 100 sacos de cimento que lhe possibilitaram iniciar a sua casa, perspectivando fornecer condições habitacionais condignas à família.

 

Impacto

O levantamento feito nos grupos de poupança constituídos pelo projecto indicaram que os recursos financeiros poupados são utilizados essencialmente para o desenvolvimento de negócios, melhoria das condições de habitação, aquisição de bens domésticos e de produção, cobertura de despesas correntes e outros investimentos como educação dos filhos.

Com os lucros conseguiu também comprar suínos e caprinos para criação e contribuiu na compra de cimento para a construção da sua residência junto ao seu esposo.

 

Com estes investimentos é possível estimular a auto-estima dos membros dos grupos de poupança e crédito porque começam a acreditar que com “50,00mt” podem iniciar uma caminhada rumo a erradicação da pobreza. Deste modo, os PCR funcionam como mecanismo de inclusão financeira pois em zonas onde não existem instituições financeiras formais, são alternativa de acesso a recursos financeiros.